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Fonte: http://www.if.org.br/editorial.php - publicado em 12.12.2009
Brasil e suas questões... sanitárias
O atual ocupante do Planalto sabe bem o que diz. Depois do impropério inusitado para um Chefe de Estado, dito em público, conclui-se que ele sabe que além de falar para a base da pirâmide social brasileira, provocará por vários dias, uma enxurrada de manchetes, artigos, comentários, enfim, tudo dentro da velha tática do “fale bem ou mal, não importa, desde que fale de mim”. Para que se crie um efeito de dissonância cognitiva, muito do que se divulga na mídia sobre o governo, especialmente a propaganda oficial que simplesmente ocupou todos os chamados “calhaus” – espaços disponíveis e que não conseguiram ser vendidos na mídia televisiva – vende um Brasil que não existe, se confrontado com os números divulgados no Jornal O Estado do Paraná na edição de 13.12.09.
Estes números, resumidamente, são os seguintes:
Brasil: 75º colocado no IDH,
Índice de corrupção – 75º no mundo.
70% das rodovias federais em precárias condições.
Taxa de homicídios, a cada 100 mil habitantes:
Alemanha = 1,0
Itália = 1,2
Chile = 1,9
Palestina = 4,0
Argentina = 5,2
EE.UU. = 5,8
BRASIL = 26,0.
Embora a propaganda do governo procura mostrar que o Nordeste está melhorando, em 2002 o PIB per capita era de 46% do nacional mas em 2008, o índice continua em 46%. Questão de pobreza ou... sanitária?
São muitos os tantos outros números negativos que deixariam este Editorial muito longo. Há que se reconhecer, contudo, que o Brasil cresceu e se desenvolveu desde 1964, passando por todos os governos, desde o “Milagre Brasileiro” da década de 1970 até a estabilização da inflação com o Plano Real em 1994. Se deixarmos de nos levar pela propaganda governamental e pela performance de pop star do atual ocupante do Planalto, notaremos que existem melhorias para a maioria da população e que há um incremento das chamadas classes C e D, razão dos investimentos feitos por grupos empresariais cada vez mais focados nestas. Mas essas melhorias pouco se devem aos governos e muito mais à iniciativa privada.
Em primeiro lugar é preciso lembrar que governos não produzem nada, e quando se metem a fazer isso, as distorções são inúmeras, prejudicando a comunicação dos preços proveniente do consumidor, fazendo-o pagar, quando consegue, mais do que produtos e serviços realmente valem. Ou, se movidos por populismo, menos do que valem até extinguir a operação, afundar as empresas estatais em dividas que serão financiadas com mais e mais impostos. Não existe almoço grátis, nos ensinou Milton Friedman. Considerando que no resto do planeta, na maioria dos lugares a iniciativa privada tem razoável liberdade que levou a desenvolver mercados maiores e mais competitivos e maduros, resultou em muita tecnologia não apenas nas inovações mas no aumento da produtividade, reduzindo preços, tornando produtos e serviços acessíveis a faixas de público cada vez maiores. E o Brasil se beneficiou disto.
Para não ficar completamente ilhado, os governos que se seguiram nos últimos 25 anos foram obrigados a abrir o País. Especialmente no Governo Collor, quando a reserva de mercado automotivo, da informática e da propriedade intelectual foram suspensas com diversas medidas. Certamente, muitos dos que se locupletavam dessa reserva não aprovaram. Logo veio o Plano Real, as privatizações do setor de comunicações e, mesmo não tendo sido da maneira mais correta, o País experimentou avanços muito importantes, mesmo não tendo mais nenhum milagre de crescimento econômico. E isso não aconteceu exatamente pelas regras macroeconômicas vigentes até hoje, sendo uma das principais, a substituição da fabricação de moeda pela fabricação de títulos de divida pública. Os problemas estruturais, contudo, permanecem, senão, pioraram.
A independência e harmonia entre os Três Poderes praticamente se extinguiu com a nomeação de oito ministros do Supremo Tribunal Federal pelo Poder Executivo no governo atual. O Poder Legislativo está quase completamente dominado pelo Poder Executivo, graças a política clientelista da barganha dos recursos tributários extorquidos de todos os cantos do País, centralizados nas mãos do Poder Central. Afinal, parlamentares pensam, em sua maioria, na próxima eleição e suas bases estão nos estados. Além destes, os governadores pressionam as suas bancadas para que aprovem qualquer coisa que o Governo Central propõe, pois não podem ver o fluxo das migalhas dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios bloqueado. Um jogo de perde-perde, pois perdem os estados, perde o Povo, perderão até mesmo os governadores e parlamentares quando virem seu já parco poder eliminado pelo Poder Central. Será mais uma questão sanitária que não terá a mão do Grande Paizão....
Muitos de nosso Povo realmente já estão em caótica situação sanitária. Mas somente a atividade econômica plena poderá retirá-los disso. A mão estendida pelo Governo Central poderá proporcionar um alivio aparente, um paliativo como já bem percebido por boa parte da população brasileira que concorda em ajudar compatriotas por um tempo, mas não por todo tempo. E o lodo não é apenas econômico, mas social, moral, ético, e nele já estamos, todos, chafurdando, mais ou menos.
Não se pode esperar por um grande salvador da pátria, aquele que vai será solução sanitária para o País todo. Quanto mais se centraliza o poder, maior o lodaçal. A regra número um, seja numa patologia – e o caso brasileiro é patológico – seja em qualquer outra situação é reconhecer o problema. Cerca de 50% do mesmo já pode se considerar resolvido apenas com essa atitude. Os outros 50% dependerão do que se fará para resolver o problema e a inteligência diz que se deve atacar a causa do problema ou dos problemas, mesmo que sejam milhares e que turvem a visão e a mente. A boa ciência demonstra que sempre existe apenas uma causa primária de todas as causas secundárias e seus respectivos efeitos. Elimine-se a causa, e se alterarão os vetores, as soluções começarão a ser implementadas e resultados começarão a aparecer. O Brasil já deu mostras de quão poderoso é como nação mais do que emergente, mas um grande potencial que não pode mais permanecer como um grande país periférico. Não será uma vaga no Conselho de Segurança, nem manchetes com presidentes brasileiros recebendo tapinhas nas costas dos lideres das potências mundiais que mudará o que cada brasileiro realmente vive no dia a dia. A maioria em grave questão sanitária...
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Comento:
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Uma "M" e dois narizes
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Fonte: http://www.jaymecopstein.com.br/ - 14.12.2009 - Editorial
Uma "M" e dois narizes
Jayme Copstein
A leitora Fernanda Souza reclama: “Como diz o inteligentíssimo Mino Carta, a ‘mídia nativa’ vai aproveitar para criticar o que o presidente Lula disse em um momento de entusiasmo, sentindo-se à vontade entre seus pares. Eu lhe pergunto: o que é o pior, o nosso presidente, um homem do povo, que no auge do entusiasmo disse um palavrão – sendo que há bem piores – ou o senhor ‘príncipe dos sociólogos’ que vai aos Estados Unidos dar palestras falando mal do Brasil e do seu presidente (ó, que dor de cotovelo!). O ‘cara’, como o senhor diz – e porque não e com muita honra – tem sido elogiado no mundo inteiro, tem sentado ao lado de reis e sido homenageado e respeitado por estes, o que, aliás, é merecido pelo muito que tem feito pelo povo brasileiro.”
Comentário:
A mídia nativa, data vênia do “inteligentíssimo Mino Carta”, com o Governo sem desmentir, apenas justificando que o “aumento no crédito para o consumo foi um fator importante para tirar o país da recessão da virada do ano”, informa: “Em cinco anos, o número de brasileiros com dívidas acima de R$ 5.000 passou de 10 milhões para 21 milhões, segundo o Banco Central. Eles obtiveram empréstimos que, somados, chegam a R$ 430 milhões. Esse valor equivale a 70% do total de crédito concedido pelo sistema financeiro para as famílias do país. O total da dívida dos brasileiros cresceu mais do que a renda dos trabalhadores. Segundo especialistas, é um cenário de risco e deve levar a aumento nos calotes em 2010 dependendo do crescimento da economia”.
A palavra do “Cara”
Leitor H. C. interpreta: “Dá para considerar que Lula falou propositadamente ‘m*rda’ ou, ele planejou com assessores onde iria falar, em que ocasião e diante de qual plateia. Falou tal e qual foi pensado, além, claro, da observação onde ‘recrimina a mídia’ – tudo combinado. Mas por que Lula agiria assim? Tem a ver com os dois artigos do Cézar Benjamin sobre Lula ter falado que pretendera estuprar um garoto na cela enquanto esteve num cárcere durante o Regime Militar. Agora, Lula fala palavrões para passar a ideia de que é avoadão, que fala de modo exagerado, que diz coisas que não deveria, mas se arrepende, que tem vezes que ele se exibe, mas é só coisa de suas fantasias, do momento. Daí, pretender remendar, dando a entender que a conversa diante de Cézar Benjamin deve receber a mesma interpretação, é só da boca para fora. pura falação além da conta, erro tolo, invencionice barata.”
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Comento:
Fonte: http://www.jaymecopstein.com.br/ - 14.12.2009 - Editorial
Uma "M" e dois narizes
Jayme Copstein
A leitora Fernanda Souza reclama: “Como diz o inteligentíssimo Mino Carta, a ‘mídia nativa’ vai aproveitar para criticar o que o presidente Lula disse em um momento de entusiasmo, sentindo-se à vontade entre seus pares. Eu lhe pergunto: o que é o pior, o nosso presidente, um homem do povo, que no auge do entusiasmo disse um palavrão – sendo que há bem piores – ou o senhor ‘príncipe dos sociólogos’ que vai aos Estados Unidos dar palestras falando mal do Brasil e do seu presidente (ó, que dor de cotovelo!). O ‘cara’, como o senhor diz – e porque não e com muita honra – tem sido elogiado no mundo inteiro, tem sentado ao lado de reis e sido homenageado e respeitado por estes, o que, aliás, é merecido pelo muito que tem feito pelo povo brasileiro.”
Comentário:
A mídia nativa, data vênia do “inteligentíssimo Mino Carta”, com o Governo sem desmentir, apenas justificando que o “aumento no crédito para o consumo foi um fator importante para tirar o país da recessão da virada do ano”, informa: “Em cinco anos, o número de brasileiros com dívidas acima de R$ 5.000 passou de 10 milhões para 21 milhões, segundo o Banco Central. Eles obtiveram empréstimos que, somados, chegam a R$ 430 milhões. Esse valor equivale a 70% do total de crédito concedido pelo sistema financeiro para as famílias do país. O total da dívida dos brasileiros cresceu mais do que a renda dos trabalhadores. Segundo especialistas, é um cenário de risco e deve levar a aumento nos calotes em 2010 dependendo do crescimento da economia”.
A palavra do “Cara”
Leitor H. C. interpreta: “Dá para considerar que Lula falou propositadamente ‘m*rda’ ou, ele planejou com assessores onde iria falar, em que ocasião e diante de qual plateia. Falou tal e qual foi pensado, além, claro, da observação onde ‘recrimina a mídia’ – tudo combinado. Mas por que Lula agiria assim? Tem a ver com os dois artigos do Cézar Benjamin sobre Lula ter falado que pretendera estuprar um garoto na cela enquanto esteve num cárcere durante o Regime Militar. Agora, Lula fala palavrões para passar a ideia de que é avoadão, que fala de modo exagerado, que diz coisas que não deveria, mas se arrepende, que tem vezes que ele se exibe, mas é só coisa de suas fantasias, do momento. Daí, pretender remendar, dando a entender que a conversa diante de Cézar Benjamin deve receber a mesma interpretação, é só da boca para fora. pura falação além da conta, erro tolo, invencionice barata.”
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Comento:
O quadro político próximo vindouro da república
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Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
Enviado por Ricardo Noblat - 14.12.2009 8h04m
Comentário
O jardineiro feliz
Jamais Lula foi tão franco e direto a respeito do assunto quanto na última quinta-feira em São Luís do Maranhão, reduto político de quem já foi chamado por ele de ladrão:
- Não se trata de ter amigos ou não ter amigos. Não se trata de ter afinidade ideológica ou não ter afinidade ideológica. Se trata do pragmatismo da governança.
Perfeito!
Lula poderia ter admitido que existe limite para tudo. Paulo Maluf estabeleceu o dele em casos onde aflorem os instintos mais primitivos: “Estupra, mas não mata”.
Vai ver que não existe limites para Lula. Vai ver que seu índice de popularidade, que poderia ajudá-lo a ser menos dependente do fisiologismo, serve antes de tudo para justificar transgressões.
Em 2006, durante comício em Belém, Lula agradeceu o apoio de Jader Barbalho (PMDB) beijando sua mão.
As mãos de Jader – logo aquelas mãos! – haviam sido algemadas anos antes sob a suspeita de ter manuseado dinheiro público desviado irregularmente.
Tem voto? Vem para meu jardim você também, vem...
Jader é hoje mais uma flor exuberante no quintal do jardineiro feliz onde estão reunidos Fernando Collor, José Sarney, Romero Jucá, Romeu Tuma, Sandro Mabel, Severino Cavalcanti, e por aí vai.
Sem esquecer os mensaleiros. E a maior fatia do PMDB. Se colhidos formariam um belo ramalhete a ser depositado no altar da governança.
Esse não foi o Lula eleito presidente da República em 2002 pela maioria dos brasileiros.
O Lula escolhido batia duro na corrupção e prometia manter segura distância de corruptos.
Mas é fato que sempre existiu o Lula para quem vale tudo quando o poder está em jogo. Apenas havia sido disfarçado por artes da propaganda e do marketing.
A poucos meses de ser eleito presidente pela primeira vez, por exemplo, Lula testemunhou em um apartamento de Brasília a compra do apoio do PL à sua candidatura. Custou pouco mais de R$ 6 milhões. Foi fechada por José Dirceu, Delúbio Soares e o deputado Valdemar Costa Neto, presidente do partido.
Apontado mais tarde pela CPI dos Correios como um baita mensaleiro, Valdemar renunciou ao mandato para escapar de ser cassado.
Dirceu foi demitido da a chefia da Casa Civil – afinal, como Lula não sabia do mensalão, alguém tinha que saber. Cassaram-lhe o mandato de deputado. Delúbio está de volta como aspirante a deputado.
Com o escândalo do mensalão Lula extraiu uma lição perversa e errada: para conservar o poder deveria ceder a todas as exigências dele.
No primeiro mandato, por birra ou erro de cálculo, resistira a sentar no colo do PMDB – ou a pô-lo no colo. No segundo escancarou as porteiras para o PMDB e mais 13 partidos. Sem essa de perder o poder, ora.
Perdera Dirceu, que poderia sucedê-lo. E Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, pobre vítima do então presidente da Caixa Econômica Federal que, à sua revelia, quebrou o sigilo bancário de Francenildo da Costa, o caseiro que disse ter visto Palocci dezenas de vezes em uma mansão alegre de Brasília.
Não foi esse o entendimento do Supremo Tribunal Federal? Não se trata, por todos os méritos, da mais alta corte de homens sábios, justos e coerentes do país? E então?
Puna-se o ex-presidente da Caixa porque Palocci já foi injustamente punido no rastro do escândalo turbinado pela mídia golpista.
Uma vez mandado às favas todos os escrúpulos, Lula olhou para Dilma Rousseff e disse para seus botões: eis alguém que poderá me suceder para depois ser sucedido por mim. Nem Dilma se julgava tão capaz.
E Lula deve ter pensado: como filho do Brasil e um de muitos de Deus, estou certo. Se não estivesse, Ele me enviaria algum sinal.
E Lula viu a oposição.
Retificando: Lula não viu porque ela não existe. Viu uma gente medrosa, desarticulada, sem discurso e ao que parece conformada com o desastre que se avizinha.
E Lula finalmente concluiu: Vai dar! Anote aí: Lula vencerá em 2010. Salvo se Dilma perder.
Charada? Não.
Em 2002, Ciro Gomes perdeu para ele mesmo tantos foram os erros que cometeu. Dilma não está livre disso.
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Comento:
Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
Enviado por Ricardo Noblat - 14.12.2009 8h04m
Comentário
O jardineiro feliz
Jamais Lula foi tão franco e direto a respeito do assunto quanto na última quinta-feira em São Luís do Maranhão, reduto político de quem já foi chamado por ele de ladrão:
- Não se trata de ter amigos ou não ter amigos. Não se trata de ter afinidade ideológica ou não ter afinidade ideológica. Se trata do pragmatismo da governança.
Perfeito!
Lula poderia ter admitido que existe limite para tudo. Paulo Maluf estabeleceu o dele em casos onde aflorem os instintos mais primitivos: “Estupra, mas não mata”.
Vai ver que não existe limites para Lula. Vai ver que seu índice de popularidade, que poderia ajudá-lo a ser menos dependente do fisiologismo, serve antes de tudo para justificar transgressões.
Em 2006, durante comício em Belém, Lula agradeceu o apoio de Jader Barbalho (PMDB) beijando sua mão.
As mãos de Jader – logo aquelas mãos! – haviam sido algemadas anos antes sob a suspeita de ter manuseado dinheiro público desviado irregularmente.
Tem voto? Vem para meu jardim você também, vem...
Jader é hoje mais uma flor exuberante no quintal do jardineiro feliz onde estão reunidos Fernando Collor, José Sarney, Romero Jucá, Romeu Tuma, Sandro Mabel, Severino Cavalcanti, e por aí vai.
Sem esquecer os mensaleiros. E a maior fatia do PMDB. Se colhidos formariam um belo ramalhete a ser depositado no altar da governança.
Esse não foi o Lula eleito presidente da República em 2002 pela maioria dos brasileiros.
O Lula escolhido batia duro na corrupção e prometia manter segura distância de corruptos.
Mas é fato que sempre existiu o Lula para quem vale tudo quando o poder está em jogo. Apenas havia sido disfarçado por artes da propaganda e do marketing.
A poucos meses de ser eleito presidente pela primeira vez, por exemplo, Lula testemunhou em um apartamento de Brasília a compra do apoio do PL à sua candidatura. Custou pouco mais de R$ 6 milhões. Foi fechada por José Dirceu, Delúbio Soares e o deputado Valdemar Costa Neto, presidente do partido.
Apontado mais tarde pela CPI dos Correios como um baita mensaleiro, Valdemar renunciou ao mandato para escapar de ser cassado.
Dirceu foi demitido da a chefia da Casa Civil – afinal, como Lula não sabia do mensalão, alguém tinha que saber. Cassaram-lhe o mandato de deputado. Delúbio está de volta como aspirante a deputado.
Com o escândalo do mensalão Lula extraiu uma lição perversa e errada: para conservar o poder deveria ceder a todas as exigências dele.
No primeiro mandato, por birra ou erro de cálculo, resistira a sentar no colo do PMDB – ou a pô-lo no colo. No segundo escancarou as porteiras para o PMDB e mais 13 partidos. Sem essa de perder o poder, ora.
Perdera Dirceu, que poderia sucedê-lo. E Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, pobre vítima do então presidente da Caixa Econômica Federal que, à sua revelia, quebrou o sigilo bancário de Francenildo da Costa, o caseiro que disse ter visto Palocci dezenas de vezes em uma mansão alegre de Brasília.
Não foi esse o entendimento do Supremo Tribunal Federal? Não se trata, por todos os méritos, da mais alta corte de homens sábios, justos e coerentes do país? E então?
Puna-se o ex-presidente da Caixa porque Palocci já foi injustamente punido no rastro do escândalo turbinado pela mídia golpista.
Uma vez mandado às favas todos os escrúpulos, Lula olhou para Dilma Rousseff e disse para seus botões: eis alguém que poderá me suceder para depois ser sucedido por mim. Nem Dilma se julgava tão capaz.
E Lula deve ter pensado: como filho do Brasil e um de muitos de Deus, estou certo. Se não estivesse, Ele me enviaria algum sinal.
E Lula viu a oposição.
Retificando: Lula não viu porque ela não existe. Viu uma gente medrosa, desarticulada, sem discurso e ao que parece conformada com o desastre que se avizinha.
E Lula finalmente concluiu: Vai dar! Anote aí: Lula vencerá em 2010. Salvo se Dilma perder.
Charada? Não.
Em 2002, Ciro Gomes perdeu para ele mesmo tantos foram os erros que cometeu. Dilma não está livre disso.
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Comento:
sábado, 12 de dezembro de 2009
Monarquia no "Mural", sem meias palavras!!!
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Fonte: www.jaymecopstein.com.br - 12.12.2009 - MURAL
Moralidade à brasileira
Neide La Savia
Nestes tristes episódios de corrupção o que mais causa indignação é que tudo corre camufladamente como se fosse normal, e só aparece quando delatado pelos próprios corruptos ou corruptores quando se sentem prejudicados na partilha do butim. Assim tem sido sempre desde o episódio Fernando x Pedro Collor e sucessivamente nos demais, até hoje quando o secretário Durval Barbosa filmou o governador José Roberto Arruda.
É triste ver que, se não é por ação de delação ou da imprensa investigativa, nada se descobriria, apesar de termos vários órgãos oficiais de controle, e muito bem pagos por sinal, e de termos todo tipo de polícia, civil ou militar, municipal, estadual e federal. Mas nenhuma sabe de nada. Exceção eventual à Polícia Federal, mas quase sempre com mandados e implicações políticas para denegrir ou prejudicar algum grupo ou partido contrário ao governo.
Assim parece que o dito Estado Brasileiro é uma entidade de associados que visa o bem-estar e o poder de mando somente para os seus, e a nação propriamente dita não passa de coadjuvante a serviço do grupo de beneficiários. Seria como uma máfia estatal.
É triste, vergonhoso, cruel, e um prato cheio para instalação de regimes de exceção, seja da extrema direita ou da extrema esquerda. Aliás nossos comunistinhas estão à espreita e de unhas de fora, esperando o momento para se adonarem do poder, nem que seja usando os métodos ditos democráticos, por via do voto. Tenho para mim que sonham com uma grande Cuba para o Brasil. Já temos até um simulacro de Lênin e sua filha, nossa Rosa de Luxemburgo.
Vendo assim parece que Democracia Republicana Presidencialista não se aplica bem ao Brasil, e nem a vivemos de fato. Talvez fosse melhor se D. Pedro II não tivesse sido expulso, e tivéssemos uma monarquia parlamentarista, que vai muitíssimo bem na Europa. Parece que Presidencialismo só deu certo nos Estados Unidos da América.
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Comento: Os negritos e itálicos são meus e bastam para a nossa reflexão, bem objetiva!
Fonte: www.jaymecopstein.com.br - 12.12.2009 - MURAL
Moralidade à brasileira
Neide La Savia
Nestes tristes episódios de corrupção o que mais causa indignação é que tudo corre camufladamente como se fosse normal, e só aparece quando delatado pelos próprios corruptos ou corruptores quando se sentem prejudicados na partilha do butim. Assim tem sido sempre desde o episódio Fernando x Pedro Collor e sucessivamente nos demais, até hoje quando o secretário Durval Barbosa filmou o governador José Roberto Arruda.
É triste ver que, se não é por ação de delação ou da imprensa investigativa, nada se descobriria, apesar de termos vários órgãos oficiais de controle, e muito bem pagos por sinal, e de termos todo tipo de polícia, civil ou militar, municipal, estadual e federal. Mas nenhuma sabe de nada. Exceção eventual à Polícia Federal, mas quase sempre com mandados e implicações políticas para denegrir ou prejudicar algum grupo ou partido contrário ao governo.
Assim parece que o dito Estado Brasileiro é uma entidade de associados que visa o bem-estar e o poder de mando somente para os seus, e a nação propriamente dita não passa de coadjuvante a serviço do grupo de beneficiários. Seria como uma máfia estatal.
É triste, vergonhoso, cruel, e um prato cheio para instalação de regimes de exceção, seja da extrema direita ou da extrema esquerda. Aliás nossos comunistinhas estão à espreita e de unhas de fora, esperando o momento para se adonarem do poder, nem que seja usando os métodos ditos democráticos, por via do voto. Tenho para mim que sonham com uma grande Cuba para o Brasil. Já temos até um simulacro de Lênin e sua filha, nossa Rosa de Luxemburgo.
Vendo assim parece que Democracia Republicana Presidencialista não se aplica bem ao Brasil, e nem a vivemos de fato. Talvez fosse melhor se D. Pedro II não tivesse sido expulso, e tivéssemos uma monarquia parlamentarista, que vai muitíssimo bem na Europa. Parece que Presidencialismo só deu certo nos Estados Unidos da América.
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Comento: Os negritos e itálicos são meus e bastam para a nossa reflexão, bem objetiva!
O estado da república, neste exato momento
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Fonte: www.jaymecopstein.com.br - 12.12.2009 - Editorial
Na língua de Lula
Jayme Copstein
Pois Sua Excelência, Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, o ínclito Presidente da República do Brasil pela graça de São José Sarney, Beato Renan Calheiros e Apóstolo Michel Temer, acolitados pelos coroinhas Jáder Barbalho e José Dirceu, e de acordo com os cânones da Sexta Constituição Republicana que esta prolífica democracia já produziu, repetiu ontem em São Luiz, inspirado provavelmente pelo aroma local, a palavra com que Cambrone, general de Napoleão, respondeu ao ultimato inglês para se render na Batalha de Waterloo: “Merda!”
O “Cara” é manchete, hoje, em todos os jornais do mundo. Seu atual amigo e aliado, Fernando Collor de Mello, quando presidente, tinha uma equipe para fabricar as frases que mantinham sua imagem de super-homem. Mais autossuficiente, Lula, ao proclamar que não se precisa falar inglês para ser presidente da República, ao ser empossado em 2003, foi honesto: só ia falar do que sabe. E ontem, em São Luiz, falou de cátedra.
A única dúvida que resta, após quase oito anos no Poder, depois de reduzir a pobreza como nunca neste país, de implantar saneamento básico como nunca neste país, de construir casas populares como nunca neste país, etc. etc. etc. o Presidente da República, diz que quer “tirar o povo na merda em que ele se encontra”. Mas ele já não tinha feito este povo feliz para sempre, como nunca na história deste país? Não dá para entender.
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Comento: Nesta república, como sempre, aliás, desde 15.11.1889, "este povo feliz" nunca coincide com a a população do Brasil.
Está mais para denotar a multidão de "ínclitos", "cheios de graça", "apóstolos", "coroinhas", e "atuais amigos aliados", do que qualquer outra coisa.
Só o Império Brasil, contemporâneo, democrático, fundado nos valores primordiais do País, no contexto do Estado de Direito, com Legalidade e com Legitimidade, para mudar e reverter essa decadência toda!
Fonte: www.jaymecopstein.com.br - 12.12.2009 - Editorial
Na língua de Lula
Jayme Copstein
Pois Sua Excelência, Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, o ínclito Presidente da República do Brasil pela graça de São José Sarney, Beato Renan Calheiros e Apóstolo Michel Temer, acolitados pelos coroinhas Jáder Barbalho e José Dirceu, e de acordo com os cânones da Sexta Constituição Republicana que esta prolífica democracia já produziu, repetiu ontem em São Luiz, inspirado provavelmente pelo aroma local, a palavra com que Cambrone, general de Napoleão, respondeu ao ultimato inglês para se render na Batalha de Waterloo: “Merda!”
O “Cara” é manchete, hoje, em todos os jornais do mundo. Seu atual amigo e aliado, Fernando Collor de Mello, quando presidente, tinha uma equipe para fabricar as frases que mantinham sua imagem de super-homem. Mais autossuficiente, Lula, ao proclamar que não se precisa falar inglês para ser presidente da República, ao ser empossado em 2003, foi honesto: só ia falar do que sabe. E ontem, em São Luiz, falou de cátedra.
A única dúvida que resta, após quase oito anos no Poder, depois de reduzir a pobreza como nunca neste país, de implantar saneamento básico como nunca neste país, de construir casas populares como nunca neste país, etc. etc. etc. o Presidente da República, diz que quer “tirar o povo na merda em que ele se encontra”. Mas ele já não tinha feito este povo feliz para sempre, como nunca na história deste país? Não dá para entender.
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Comento: Nesta república, como sempre, aliás, desde 15.11.1889, "este povo feliz" nunca coincide com a a população do Brasil.
Está mais para denotar a multidão de "ínclitos", "cheios de graça", "apóstolos", "coroinhas", e "atuais amigos aliados", do que qualquer outra coisa.
Só o Império Brasil, contemporâneo, democrático, fundado nos valores primordiais do País, no contexto do Estado de Direito, com Legalidade e com Legitimidade, para mudar e reverter essa decadência toda!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Torcidas e soberania
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Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2745202.xml&template=3898.dwt&edition=13700§ion=1012
Zero Hora, Porto Alegre, 11.12.2009, N.º 16182 - Artigos
Torcidas e soberania popular
João Gilberto Lucas Coelho
É grave a confusão feita entre soberania popular e reações coletivas instantâneas, ocasionais ou sob forte emoção.
A melhor cultura democrática exige que eleições, plebiscitos e referendos sejam cercados da garantia de exposição equilibrada das posições divergentes que possibilitem a reflexão, para ser legítima a manifestação da soberania popular. Em vários países, após a campanha eleitoral ainda existe um curto período de silêncio para proteger a decisão do eleitor.
Mesmo assim, até mesmo o fundamental instituto do plebiscito já foi utilizado por ditadores para ratificar suas decisões, realizando consultas sob clima emocional ou com restrições à oposição.
Mesmo assim, até mesmo o fundamental instituto do plebiscito já foi utilizado por ditadores para ratificar suas decisões, realizando consultas sob clima emocional ou com restrições à oposição.
Muito diferente de soberania popular é a reação “de manada”, como referem estudiosos, de massas ensandecidas ou sob forte impacto momentâneo, muito comum nos estádios de futebol, mas presente até mesmo em certas pesquisas de opinião realizadas imediatamente após eventos de grande comoção e ainda não esclarecidos plenamente.
Dizer que a multidão, a torcida ou a massa sempre têm razão é, no limite, justificar o linchamento, a mais cruel manifestação coletiva.
Este alerta tem de ser feito porque cresce a tendência de vincular comportamento dos meios de comunicação, decisões de entidades diversas e até políticas públicas a meras aferições instantâneas da “opinião pública”, sem dar a esta o pleno conhecimento das alternativas e a oportunidade de avaliar ônus e bônus de cada uma ou consequências futuras.
Sinto na cultura atual uma tolerância a certas reações grupais que podem virar perigosos incêndios. Justificam-se ou até se incentivam excessos de torcidas como vaiar o próprio time, ofender e agredir jogadores e técnicos. Daí a demolir um estádio, ferir ou matar, é um passo, ainda mais numa sociedade com crescentes sinais de violência. Elogia-se que torcedores exijam que seu time entregue um jogo, ferindo as regras do esporte, com a mesma veemência com que se critica a corrupção noutros setores... Isso seria, no esporte, o mesmo que, na política, a ideologia do “rouba, mas faz”.
O episódio recente de Curitiba é um alerta geral. Clama por maior cuidado ao lidar com as emoções coletivas, porque o vírus da violência está inoculado entre nós.
Também serve para refletirmos que uma coisa é a vontade popular em processos deliberativos com garantida informação, comparação de opções e oportunidade de reflexão, fundamento da verdadeira democracia. Outra coisa, bem diferente, é a reação de manada, sob forte emoção e irracionalidade, de grupos ou multidões. Ou a opinião pública momentaneamente emocionada e ludibriada, como no caso do menino que estaria sozinho num balão que abalou os Estados Unidos e era apenas mais uma jogada de marketing na sociedade do espetáculo em que vivemos.
* Advogado, Ex-Deputado Federal
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Comento:
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2745202.xml&template=3898.dwt&edition=13700§ion=1012
Zero Hora, Porto Alegre, 11.12.2009, N.º 16182 - Artigos
Torcidas e soberania popular
João Gilberto Lucas Coelho
É grave a confusão feita entre soberania popular e reações coletivas instantâneas, ocasionais ou sob forte emoção.
A melhor cultura democrática exige que eleições, plebiscitos e referendos sejam cercados da garantia de exposição equilibrada das posições divergentes que possibilitem a reflexão, para ser legítima a manifestação da soberania popular. Em vários países, após a campanha eleitoral ainda existe um curto período de silêncio para proteger a decisão do eleitor.
Mesmo assim, até mesmo o fundamental instituto do plebiscito já foi utilizado por ditadores para ratificar suas decisões, realizando consultas sob clima emocional ou com restrições à oposição.
Mesmo assim, até mesmo o fundamental instituto do plebiscito já foi utilizado por ditadores para ratificar suas decisões, realizando consultas sob clima emocional ou com restrições à oposição.
Muito diferente de soberania popular é a reação “de manada”, como referem estudiosos, de massas ensandecidas ou sob forte impacto momentâneo, muito comum nos estádios de futebol, mas presente até mesmo em certas pesquisas de opinião realizadas imediatamente após eventos de grande comoção e ainda não esclarecidos plenamente.
Dizer que a multidão, a torcida ou a massa sempre têm razão é, no limite, justificar o linchamento, a mais cruel manifestação coletiva.
Este alerta tem de ser feito porque cresce a tendência de vincular comportamento dos meios de comunicação, decisões de entidades diversas e até políticas públicas a meras aferições instantâneas da “opinião pública”, sem dar a esta o pleno conhecimento das alternativas e a oportunidade de avaliar ônus e bônus de cada uma ou consequências futuras.
Sinto na cultura atual uma tolerância a certas reações grupais que podem virar perigosos incêndios. Justificam-se ou até se incentivam excessos de torcidas como vaiar o próprio time, ofender e agredir jogadores e técnicos. Daí a demolir um estádio, ferir ou matar, é um passo, ainda mais numa sociedade com crescentes sinais de violência. Elogia-se que torcedores exijam que seu time entregue um jogo, ferindo as regras do esporte, com a mesma veemência com que se critica a corrupção noutros setores... Isso seria, no esporte, o mesmo que, na política, a ideologia do “rouba, mas faz”.
O episódio recente de Curitiba é um alerta geral. Clama por maior cuidado ao lidar com as emoções coletivas, porque o vírus da violência está inoculado entre nós.
Também serve para refletirmos que uma coisa é a vontade popular em processos deliberativos com garantida informação, comparação de opções e oportunidade de reflexão, fundamento da verdadeira democracia. Outra coisa, bem diferente, é a reação de manada, sob forte emoção e irracionalidade, de grupos ou multidões. Ou a opinião pública momentaneamente emocionada e ludibriada, como no caso do menino que estaria sozinho num balão que abalou os Estados Unidos e era apenas mais uma jogada de marketing na sociedade do espetáculo em que vivemos.
* Advogado, Ex-Deputado Federal
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Comento:
Jayme Copstein: Do “bundum” ao chulé
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Fonte: http://www.jaymecopstein.com.br/ - 11.12.2009 - Editorial
Do “bundum” ao chulé
Jayme Copstein
A senhora Dona Dilma Roussef, por ser dama de respeito, não pode ou não deve contar piadas apimentadas – sem nenhuma alusão, é claro, àquela tentativa do deputado Paulo Pimenta de fabricar uma lista fajuta do mensalão, acumpliciado com os advogados do Marcos Valério.
Por isso, Dona Dilma entrou na onda do profeta Delúbio Soares:
“Mensalão vai virar piada de salão”.
Ao discursar para os mais de mil convidados no salão, na festa dos 30 anos do PT, ela se confessou estarrecida com as “inequívocas provas” de corrupção da quadrilha de José Roberto Arruda, mas negou haver “provas contundentes” do mensalão de Zé Dirceu & Bob Jeferson e Cia.
Enfim, é a tese do grande teórico otomano al Tchxim Dar’Ará Paxá, de que a corrupção baixou como nunca na história deste país: escorreu das cuecas da família Genoíno para as meias de Leonardo Prudente.
Eles “falta”, “nóis” paga
A ausência ou omissão da Procuradoria Geral da União (PGU), em processo movido pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Rondônia, vai custar aos cofres públicos quantia superior a R$ 100 milhões. A indenização refere-se a reivindicações que o próprio Tribunal Superior do Trabalho considera inconstitucionais, havendo jurisprudência firmada a respeito.
O ministro Renato Lacerda de Paiva, da 2ª Turma do TST, à qual estava afeto o julgamento, manifestou surpresa com o que chamou de “posicionamento ambíguo” da União. Na sessão anterior do Tribunal, o Sindicato dos Servidores de Rondônia alegara acordo prévio, o que faria a ação perder o objeto. Intimada a União para se manifestar, a PGU não apareceu. Resultado: mais de R$ 100 milhões, a serem pagos com os impostos extorquidos de todos nós.
E daí? Daí, nada. Não vai acontecer nada. Desde quando alguma coisa acontece neste país? Repete-se o de sempre: eles “faiz”, “nóis” paga.
Democracia versus formalismo
Em qualquer país civilizado, ou até nem tanto, mas com pretensões à condição de civilizado, não haveria como uma família, mesmo conhecida de sobejo, como a de José Sarney, impor através do Poder Judiciário censura a um único jornal, O Estado de São Paulo, em relação a uma investigação policial, a Operação Boi Barrica que procura esclarecer milagres de certas multiplicações de patrimônio.
Não se trata de uma reportagem investigativa do jornal em que a afoiteza de um repórter pode invadir a privacidade alguém. É investigação da Polícia Federal, instituição pública, cujos registros, por consequência, públicos também são e, portanto, de livre acesso a qualquer cidadão..
O Supremo Tribunal Federal, porém, deixou de analisar ontem tão gritante absurdo porque não conseguiu, pelo voto da maioria de seis de seus ministros, descartar-se da liturgia que às vezes transforma a Justiça em um simulacro do velho Baal-Moloch babilônico, ao qual se aplaca, como foi o caso, com a estrita obediência ao formalismo, sacrificando a ordem democrática e o direito fundamental e universal da liberdade de expressão e de informação e mantendo a ilegalidade flagrante da censura imposta ao jornal O Estado de São Paulo.
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Fonte: http://www.jaymecopstein.com.br/ - 11.12.2009 - Editorial
Do “bundum” ao chulé
Jayme Copstein
A senhora Dona Dilma Roussef, por ser dama de respeito, não pode ou não deve contar piadas apimentadas – sem nenhuma alusão, é claro, àquela tentativa do deputado Paulo Pimenta de fabricar uma lista fajuta do mensalão, acumpliciado com os advogados do Marcos Valério.
Por isso, Dona Dilma entrou na onda do profeta Delúbio Soares:
“Mensalão vai virar piada de salão”.
Ao discursar para os mais de mil convidados no salão, na festa dos 30 anos do PT, ela se confessou estarrecida com as “inequívocas provas” de corrupção da quadrilha de José Roberto Arruda, mas negou haver “provas contundentes” do mensalão de Zé Dirceu & Bob Jeferson e Cia.
Enfim, é a tese do grande teórico otomano al Tchxim Dar’Ará Paxá, de que a corrupção baixou como nunca na história deste país: escorreu das cuecas da família Genoíno para as meias de Leonardo Prudente.
Eles “falta”, “nóis” paga
A ausência ou omissão da Procuradoria Geral da União (PGU), em processo movido pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Rondônia, vai custar aos cofres públicos quantia superior a R$ 100 milhões. A indenização refere-se a reivindicações que o próprio Tribunal Superior do Trabalho considera inconstitucionais, havendo jurisprudência firmada a respeito.
O ministro Renato Lacerda de Paiva, da 2ª Turma do TST, à qual estava afeto o julgamento, manifestou surpresa com o que chamou de “posicionamento ambíguo” da União. Na sessão anterior do Tribunal, o Sindicato dos Servidores de Rondônia alegara acordo prévio, o que faria a ação perder o objeto. Intimada a União para se manifestar, a PGU não apareceu. Resultado: mais de R$ 100 milhões, a serem pagos com os impostos extorquidos de todos nós.
E daí? Daí, nada. Não vai acontecer nada. Desde quando alguma coisa acontece neste país? Repete-se o de sempre: eles “faiz”, “nóis” paga.
Democracia versus formalismo
Em qualquer país civilizado, ou até nem tanto, mas com pretensões à condição de civilizado, não haveria como uma família, mesmo conhecida de sobejo, como a de José Sarney, impor através do Poder Judiciário censura a um único jornal, O Estado de São Paulo, em relação a uma investigação policial, a Operação Boi Barrica que procura esclarecer milagres de certas multiplicações de patrimônio.
Não se trata de uma reportagem investigativa do jornal em que a afoiteza de um repórter pode invadir a privacidade alguém. É investigação da Polícia Federal, instituição pública, cujos registros, por consequência, públicos também são e, portanto, de livre acesso a qualquer cidadão..
O Supremo Tribunal Federal, porém, deixou de analisar ontem tão gritante absurdo porque não conseguiu, pelo voto da maioria de seis de seus ministros, descartar-se da liturgia que às vezes transforma a Justiça em um simulacro do velho Baal-Moloch babilônico, ao qual se aplaca, como foi o caso, com a estrita obediência ao formalismo, sacrificando a ordem democrática e o direito fundamental e universal da liberdade de expressão e de informação e mantendo a ilegalidade flagrante da censura imposta ao jornal O Estado de São Paulo.
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